Neste artigo quero olhar para preços de diferentes produtos e serviços para entender o que os japoneses realmente consideram caro ou barato. Afinal, será que viver no Japão pesa tanto no bolso quanto muita gente imagina?
Muita gente forma essa opinião vendo reportagens sobre frutas caríssimas, produtos de luxo e casos bem específicos. O problema é pegar esse recorte e tratar como se ele resumisse a vida inteira no Japão.
Comparar Japão e Brasil só pelo preço nominal costuma distorcer tudo. O que realmente importa é salário, poder de compra, hábitos de consumo e o tipo de gasto que pesa no dia a dia de cada país.
Muita gente já sabe que eletrônicos e produtos tecnológicos costumam ser mais acessíveis no Japão, enquanto frutas, verduras e carnes podem custar mais. Mesmo assim, isso não significa automaticamente que esses itens sejam inacessíveis para a população local.
O que é caro no Japão?
Os salários no Japão variam conforme região e tipo de trabalho, mas dá para usar algo em torno de 200.000 ienes por mês como referência simples para pensar no orçamento de muita gente.
Converter esse valor direto para real ajuda pouco. O mais útil é observar o que esse dinheiro compra dentro do próprio Japão, porque o custo de vida local segue outra lógica.
Alimentos são caros no Japão
Frutas, verduras e carnes realmente podem custar mais do que em outros países. Mesmo assim, isso não significa que os japoneses deixem de consumir esses itens, porque o peso desse gasto precisa ser visto em relação à renda e aos hábitos de compra.
Quem quer economizar ainda encontra muitas alternativas, tanto em mercados quanto em restaurantes baratos. Em várias situações, comer fora no Japão pode sair mais acessível do que muita gente imagina.
O Japão tem uma oferta enorme de comida pronta, restaurantes acessíveis e conveniências que facilitam bastante a rotina. Isso muda a forma como muita gente enxerga gasto com alimentação.
Isso sem mencionar os produtos industrializados que são super baratos, os japoneses fazem a festa com bebidas, salgados e doces. No Japão é possível ir num rodízio de carnes bovinas com apenas 30 reais.

Impostos e seguros pesam no orçamento
Uma das partes que mais pesam no orçamento são impostos e seguros. Mesmo quando o salário parece bom no papel, esses descontos fazem diferença real na renda disponível no fim do mês.
Aqui entram custos com seguro de saúde, aposentadoria e outras contribuições que, no dia a dia, acabam sendo percebidos como parte do peso fixo de viver no país.
Nas compras, o imposto sobre consumo também entra na conta. Por isso muitas lojas exibem preço com e sem imposto, o que pode confundir quem ainda não está acostumado.
Esses seguros e impostos acabam pesando no bolso dos japoneses. Mas por outro lado, são necessários, já que grande parte desses impostos são seguros de saúde, segurança e aposentadoria não obrigatória mas necessária.
Pedágios em rodovias estão espalhados por todo Japão tirando mais dinheiro do bolso dos japoneses. É impossível viver no Japão livre de impostos que percorrem visivelmente por todos os lugares. Eu pessoalmente acho bom, vendo como ele é usado.

Outros gastos que costumam incomodar
É difícil especificar o que é caro ou barato aqui, visto que existe uma ampla gama de produtos, principalmente num país capitalista como o Japão, onde o consumo é extremamente grande e diversificado com inúmeras coisas que você nem deve saber que existe.
Fizemos uma pequena lista de coisas que os japoneses costumam reclamar quando pagam, mesmo não sendo algo caro. Claro que a lista pode se extender mais. O que tem de normal é pessoas reclamando de pagar caro em uma coisa, mas não em outra.
- Lavagem de roupa a seco - (+800 ienes / 20 reais);
- Esportes como Golfe, podem gerar gastos de até um milhão de ienes com produtos e clubes;
- Filmes no cinema custam mais de 1500 ienes / 45 reais;
- Carros importados + impostos para manter + pedágios;
- Vinhos importados;
- Bilhetes de trens, principalmente de shinkansen (trem bala);
- Alugueis em centros de cidade ou Tokyo;
- Taxi (Eu acho super caro);
- Acomodações e hotéis, dependendo do nível pode passar facilmente a casa dos 300 reais;
- Entrada em parques e alguns pontos turísticos;
- Consultas médicas particulares;
Produtos Made in Japan - Os japoneses valorizam bastante os produtos que são fabricados no Japão, esse é um dos motivos de o arroz custa caro, já que lá a produção do arroz é local.
Camisas e roupas personalizadas podem custar mais de 300 reais, principalmente de animes e times. Às vezes sai bem mais barato comprar algo importado ou fabricado em outro país do que algo Made in Japan.
Assim como qualquer país, viver em centros urbanos, em cidades turísticas, ou lugares populares sempre vai ser mais caro. Fazer compras em supermercados ao invés de lojas de conveniência também ajudam os japoneses a economizarem.
Durante minha experiência no Japão eu percebi que os valores dos produtos mudam drasticamente de um local pro outro e de uma marca para outra. Apesar disso, achei a vida no Japão relativamente barata e divertida. Principalmente nas comidas!

O que é barato no Japão?
Comida é relativamente barata para os japoneses - Como já mencionado, a maioria dos japoneses comem em restaurantes de qualidade e isso não consome nem uma hora de trabalho deles. Enquanto no Brasil têm restaurantes que consome o ganho do dia inteiro, principalmente se o restaurante serve comida de outros países ou regiões.
O aluguel é relativamente barato - Um grande Número da população mora de aluguel, o aluguel no Japão não consome nem 30% do salário mínimo. Já no Brasil alugueis de casas boas consomem mais que um salário mínimo. Claro que vai depender da localização, tamanho, etc.
Eletrônicos e móveis - Esses produtos podem ser tanto caro como barato, mas na maioria dàs vezes é possível encontrar milhares de opções acessíveis. Alguns eletrônicos chegam a ser até 5x mais barato que no Brasil. Minha opinião é que os preços dos eletrônicos no Japão são iguais a de outros países que não cobram impostos absurdos e onde as lojas não tentam explorar a clientela.

O restante dos produtos e serviços são relativamente baratos para os japoneses, podem até parecer caro para nós estrangeiros, mas não pesam no bolso japonês. Um dos problemas de calcular ou comparar preços do que é caro ou barato, vai depender da prioridade que a pessoa vê no produto.
Às vezes, quando algo é desnecessário, pode custar apenas 1.000 ienes que já achamos caro. 1000 ienes é como se fosse simplesmente 10 reais para uma pessoa que ganha aproximadamente 2.000 por mês, você acha que é gastar muito?
Viver no Japão é realmente caro?
No fim, minha impressão é que o Japão não é um país simplesmente “caro”. Ele tem gastos que assustam mais, outros que pesam menos e uma lógica de consumo que depende muito do estilo de vida. Mais do que olhar um produto isolado, faz mais sentido observar o poder de compra e o equilíbrio geral do orçamento.
O Dinheiro e o consumo no Japão é muito diferente. Com um salário mínimo (cerca de 200.000 ienes), durante um mês, eu fui capaz de almoçar apenas em restaurantes, ir a diversos pontos turísticos pagos, viajar para várias cidades e comprar diversas besteiras. Gastar esse dinheiro me causou uma impressão de que eu fosse rico, porque fiz várias coisas que nunca teria condições de fazer no Brasil.
Claro que luxo continua sendo luxo, e certos produtos ou experiências podem sair caros. Mas para a vida comum, muita coisa cabe no orçamento. No fim, preço sempre é relativo: depende do salário, das prioridades e do padrão de consumo de cada pessoa.
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