Pessoas problemáticas existem em todos os lugares. Mas meu amigo Caipira deu o apelido de “garotinhos juvenis” e “velhas carcomidas” para certos estrangeiros problemáticos que vivem no Japão. Neste artigo, quero comentar como identificar esse tipo de comportamento, como evitar conviver com ele e, principalmente, como não se tornar uma pessoa assim.
Muitos estrangeiros acabam juntando os costumes ruins do país natal com os costumes ruins que aprendem no Japão. Essa mistura pode criar uma pessoa amarga, orgulhosa, acomodada e difícil de conviver. Não estou falando de todo estrangeiro, claro. Estou falando daquele tipo que reclama de tudo, não tenta melhorar e ainda atrapalha quem está tentando crescer.
Por que “velha carcomida”? Carcomido é algo gasto, roído, destruído, arruinado. E por que “juvenil”? Porque a palavra lembra alguém que não amadureceu mentalmente, vivendo como criança mesmo depois de adulto. São apelidos fortes, mas a crítica aqui é ao comportamento, não à idade da pessoa.

Se você acompanha o canal do Caipira no Japão, provavelmente já viu ele usando essas expressões para falar de alguns brasileiros e estrangeiros que vivem no Japão. No fundo, estamos falando de orgulho, complexo de superioridade, inveja, egoísmo e falta de responsabilidade.
Não existe grande diferença entre “garotinho juvenil” e “velha carcomida”. São apelidos diferentes para o mesmo tipo de comportamento. Este artigo fala principalmente de estrangeiros que moram no Japão e criam problemas para si mesmos e para os outros, independente da idade.
Aversão ao idioma japonês
Uma das características mais comuns desse tipo de pessoa é a aversão ao idioma japonês. Alguns estrangeiros ficam tão acostumados com as facilidades da comunidade brasileira que vivem anos no país sem aprender o básico do idioma.
A lógica costuma ser: “para que vou aprender japonês se tenho comunidade brasileira, tradutores, revistas, placas em português e amigos que resolvem tudo?”. O problema é que essa comodidade cobra um preço com o tempo.

Depois de um tempo, a pessoa percebe que não consegue evoluir. Continua presa nos mesmos empregos de fábrica, fazendo horas extras, se sobrecarregando e dependendo dos outros para resolver coisas simples. Ainda assim, se nega a aprender japonês porque acha que isso não vai mudar nada.
Eu entendo que muita gente realmente não tem tempo. Trabalhar em fábrica, cuidar da casa e ainda estudar não é fácil. Mas também existem jovens que têm tempo livre e não fazem o menor esforço. Idade, rotina e dificuldade explicam muita coisa, mas não podem virar desculpa eterna.
Garotinhos juvenis são invejosos
No meio da comunidade brasileira no Japão, infelizmente existe muita inveja. Alguns negam qualquer possibilidade de trabalhar de forma alternativa e acreditam que fábrica é o único caminho possível para estrangeiros.
Eu já cansei de ver brasileiros desincentivando outras pessoas a irem para o Japão dizendo que a vida é só trabalho, enquanto vejo muita gente com tempo livre na rua, viajando ou fazendo outras coisas. O problema é que alguns não aceitam ver alguém encontrando formas diferentes de viver no Japão.
Não é só no Japão. No mundo inteiro existem pessoas invejosas. E a inveja é um sentimento muito prejudicial, porque destrói amizades, gera tristeza e machuca tanto quem sente quanto quem vira alvo.

O complexo de vira-lata também fala alto quando alguém se dá bem. A pessoa invejosa logo suspeita que existe algo errado, como se sucesso só pudesse vir de golpe, máfia ou coisa ilegal. Para ela, não existe outra forma de alcançar uma posição melhor.
O invejoso reclama, range os dentes, critica, mas raramente corre atrás dos mesmos objetivos ou tenta entender como a outra pessoa conseguiu chegar lá. A inveja misturada com orgulho impede qualquer atitude real.
Eu mesmo já encontrei pessoas fazendo críticas sem fundamento sobre meu trabalho. Às vezes elas querem saber mais que todo mundo e não aceitam ficar para trás, mesmo sem fazer metade do esforço.
O orgulho de nunca estar errado
Outro sinal forte é o orgulho. Garotinhos juvenis e velhas carcomidas nunca erram, pelo menos na cabeça deles. O orgulho impede a pessoa de receber conselho, aceitar crítica ou enxergar que o caminho dela está cheio de erros.
Além de não aceitar estar errado, esse tipo de pessoa muitas vezes torce pela queda dos outros. Não quer ver ninguém crescer. Quer que todo mundo desça ao mesmo nível, como se o fracasso alheio aliviasse a própria frustração.
Esse é um pensamento triste. Pessoas assim não aceitam crítica sobre inveja, idioma, trabalho ou comportamento. Elas preferem atacar quem aponta o problema em vez de olhar para si mesmas.

Não obedecem as leis do Japão
Estrangeiros problemáticos também costumam tratar as leis do Japão como se fossem detalhe. Acham que estão no Brasil e que podem fazer o que quiser, sem se preocupar com pequenas regras de convivência, trânsito, lixo, documentação ou contratos.
Muita gente já se deu mal por pensar assim. O Japão pode parecer tranquilo, mas regras são levadas a sério. Uma atitude irresponsável não prejudica apenas a própria pessoa; também suja a imagem de outros estrangeiros que estão tentando viver corretamente.
Quem não lembra de histórias da crise de 2008, quando alguns brasileiros largaram carros em aeroportos, deixaram dívidas e foram embora sem resolver nada? Esse tipo de atitude dá munição para preconceito e dificulta a vida de quem ficou.
Infelizmente, muita gente hoje acha bonito quebrar regras, quando na verdade isso deveria ser motivo de vergonha. Pequenas irresponsabilidades se acumulam e viram uma cultura de desrespeito. Depois a pessoa reclama do país, do patrão, da polícia, do vizinho e de todo mundo, menos de si mesma.
No fim, tudo volta para responsabilidade. Aprender o idioma, respeitar as regras, parar de invejar os outros e aceitar conselho não resolve todos os problemas da vida no Japão, mas já evita boa parte das dores de cabeça. Se você mora no Japão, tente crescer sem puxar ninguém para baixo. Isso já é um ótimo começo.
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