Ei, você aí que está pensando em ir ao Japão para trabalhar em fábricas. Não é uma decisão pequena, e vale a pena pensar com calma antes de tomar esse caminho. Se você é nikkei, há possibilidades específicas de visto. Se não for, ainda existem outros caminhos, mas tudo precisa ser analisado com cuidado.
Antes de chegar a qualquer desacordo, quero deixar claro que este texto foi escrito de forma generalizada. Leia até o final para entender o contexto, porque o problema não está nas fábricas em si.
Mas tudo tem um preço. No Japão, não existe CLT como no Brasil. Você trabalha por contrato e, em muitos casos, a rotina pode exigir jornadas longas, com 10 horas ou mais por dia.
O problema nem é só a quantidade de horas. Em muitos contratos, a pressão por horas extras, turnos pesados e sábados de trabalho acaba fazendo a pessoa viver praticamente no modo automático.
Imagine passar metade do seu dia trabalhando, sem contar o tempo de deslocamento. Quando volta para casa, o cansaço costuma ser enorme. E isso pesa ainda mais quando a rotina envolve uma ocupação repetitiva e braçal.
O estresse de trabalhar em fábricas
Eu já trabalhei no telemarketing. Passava o dia inteiro ouvindo reclamações de clientes e, quando chegava em casa, não queria falar com ninguém. Era só deitar e dormir.
Agora imagine esse mesmo desgaste multiplicado por uma jornada longa, repetitiva e, muitas vezes, física. No fim do turno, ainda pode surgir a famosa hora extra, o zangyou, que muitas pessoas acabam fazendo por necessidade.
"Hoje tem zangyou, pessoal!"
O lado bom é que não são 10 horas ininterruptas, porque existe pausa para almoço e pequenos intervalos. Mesmo assim, em alguns casos, esses minutos precisam ser compensados depois.
Férias remuneradas, fundo de garantia, aposentadoria, abono salarial e plano de saúde existem, mas muita gente reclama de como tudo funciona na prática. Outros simplesmente deixam de pagar seguros e depois colocam a culpa no Japão, o que só piora a situação.
O estresse da fábrica pode fazer muita gente pegar desgosto pelo país. Se você não tiver presença de espírito, a chance de começar a odiar o lugar aumenta bastante.
Vale mesmo a pena?
Essa é a pergunta principal. Trabalhar em fábrica não é uma experiência fácil, e o peso da rotina afeta não só você, mas também quem mora com você. Muitos brasileiros vão ao Japão casados, e essa pressão diária acaba batendo dentro da casa e no relacionamento.
Além disso, dependendo da empreiteira, a situação pode ser ainda pior. Há casos de empresas que prometem uma coisa antes da viagem e entregam outra completamente diferente quando a pessoa chega ao Japão.
Se você conseguir uma empreiteira de confiança, pode até ganhar bem. Mas ainda assim, boa parte do dinheiro some com transporte, impostos, seguro e o custo da rotina. Se tiver filhos, o aperto costuma ser maior ainda.
Depois de um tempo, muita gente entra no modo automático: casa, trabalho, casa, trabalho. E isso gera um tipo de desgaste que não é só físico, mas também mental.
Se você sente que está preso em uma fábrica ou empreiteira que só te desgasta, talvez seja hora de procurar algo melhor. No Japão há oportunidades para quem quer mudar de rota, inclusive com ajuda de uma agência de recrutamento internacional confiável ou até com um planejamento melhor antes de sair do Brasil.
Comunidade
Comentários
0 comentários
Ainda não há comentários publicados neste idioma.
Enviar um comentário