Caros yonseis do Brasil. Sabiam que, a partir de julho, vocês terão a chance de ir para o Japão e morar lá? Isso mesmo: o governo japonês vai liberar o visto para yonseis, descendentes de japoneses da quarta geração, no mês de julho deste ano.
No ano anterior, o então primeiro-ministro Shinzo Abe tentou liberar o visto em novembro, mas a proposta acabou sendo adiada. Em 30 de março daquele ano, o governo comunicou que a liberação estava prevista para julho de 2018. Ainda assim, o governo também impôs exigências aos yonseis que pretendem ir ao Japão.
O que o governo está exigindo dos yonseis?
Confira a seguir quais são as exigências impostas sobre os yonseis:
- Os yonseis não poderão levar nenhum familiar, seja cônjuge, filhos, pais, irmãos ou tios. Eles terão de ir sozinhos ao Japão;
- O visto será concedido apenas para yonseis entre 18 e 30 anos de idade;
- Será necessário ter JLPT N4 para ir e JLPT N3 para renovar o visto;
- Não poderão haver antecedentes criminais. A ficha precisa estar limpa;
- Será exigido plano de saúde;
- Por fim, será preciso ter parentes morando no Japão ou empregadores que ofereçam suporte.
Reação da comunidade nikkei
A comunidade nikkei no Brasil reagiu de forma pouco positiva às exigências do governo japonês. Muitos afirmaram que nisseis e sanseis não receberam cobranças semelhantes quando tiveram acesso a vistos anteriores.
Muita gente achou injusto o fato de que os yonseis precisariam aprender o idioma e ainda ir sozinhos ao Japão. Eu, pessoalmente, vejo de outra forma.
É realmente injusto?
"A opinião a seguir não representa a de todos os escritores do Suki Desu e é apenas uma opinião individual de um dos escritores"
Um dos prováveis motivos para o governo japonês querer nikkeis que falem japonês é o fato de que muitos nisseis e sanseis falam pouco ou nada do idioma. Na época em que o Japão começou a liberar vistos para nikkeis, o país realmente precisava de mão de obra urgente.
Hoje a situação é diferente. O Japão ainda corre risco de escassez de mão de obra, mas já reconheceu que precisa não só de trabalhadores, e sim de imigrantes que consigam se comunicar bem.
Por isso, não vejo essa exigência como uma injustiça. Se a pessoa pretende ir ao Japão para ficar, o mínimo é aprender a língua do país.
Isso também ajuda o yonsei a não ficar preso à bolha das comunidades brasileiras, principalmente se ele não for morar em Hamamatsu. Ele terá mais oportunidades de conversar com japoneses nativos, entender a cultura e viver uma experiência muito mais ampla. Até um curso de japonês online pode ser um passo útil antes da viagem, porque muda completamente a forma como a pessoa chega ao país.
Além disso, depender de parentes no Japão para conseguir o visto pode ser uma vantagem. Em vez de depender apenas de empreiteiras para trabalhar nas fábricas, o yonsei pode ter uma base familiar e até mais estabilidade no começo.
Mesmo com exigências mais duras do que as impostas a nisseis e sanseis, o yonsei ainda ganha uma oportunidade importante: viver melhor no país, entender a cultura de verdade e sair da bolha de conviver só com brasileiros.
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