Os melhores jogos de história para estudantes dos últimos anos

Jogos que vão além da ação e entregam mundos, dilemas e personagens memoráveis.

Jogos podem ser lembrados por várias coisas: jogabilidade, gráficos, música, combate, exploração ou multiplayer. Mas tem jogo que fica na cabeça principalmente pela história. São aqueles que fazem você terminar uma missão e continuar pensando no personagem, no mundo ou na escolha que acabou de fazer.

Para estudantes, esse tipo de jogo pode ser ainda mais interessante. Não estou dizendo que videogame substitui livro, aula ou pesquisa, claro. Mas bons jogos narrativos podem despertar curiosidade por mitologia, política, guerra, ética, tecnologia, filosofia e até por períodos históricos reais.

A lista abaixo reúne jogos lançados nos últimos anos ou que continuaram relevantes nesse período. Alguns são mais históricos, outros são fantasia ou ficção científica, mas todos têm narrativas que rendem conversa.

Controle de videogame usado para jogar no console
Nem todo jogo precisa ter uma história complexa, mas uma boa narrativa pode transformar a experiência.

God of War (2018)

God of War conseguiu uma coisa difícil: reinventar Kratos sem apagar completamente o peso dos jogos anteriores. A raiva ainda está ali, mas agora aparece filtrada pela relação com Atreus, seu filho. O jogo deixa de ser apenas uma jornada de vingança e vira uma história sobre luto, paternidade, culpa e controle.

O cenário nórdico também ajuda muito. Mesmo que o jogo use liberdade criativa, ele pode despertar curiosidade por mitologia, runas, deuses e criaturas do norte da Europa. Para quem gosta de mitologias, dá até para comparar com nossos conteúdos sobre mitologia em animes e outras obras da cultura pop.

O mais interessante é que o jogo não tenta transformar Kratos em santo. Ele continua duro, violento e cheio de falhas. Mas agora precisa ensinar o filho a sobreviver sem repetir exatamente os mesmos erros. Isso dá ao jogo uma camada humana que muita gente não esperava.

Horizon Zero Dawn (2017)

Horizon Zero Dawn chama atenção logo de cara: tribos humanas caçando máquinas gigantes em um mundo pós-apocalíptico. A imagem de dinossauros robóticos já seria suficiente para vender o jogo, mas a história vai além da estética.

A jornada de Aloy mistura identidade, tecnologia, ecologia e memória histórica. O jogador vai descobrindo, pouco a pouco, o que aconteceu com a civilização anterior e por que o mundo chegou naquele estado. É uma narrativa que funciona quase como uma investigação arqueológica do futuro.

Para estudantes, o jogo pode render discussões sobre dependência tecnológica, colapso ambiental, inteligência artificial e transmissão de conhecimento. Ele também mostra como uma boa ficção científica pode falar do presente sem parecer uma aula disfarçada.

Aloy em Horizon Zero Dawn diante de máquinas em mundo pós-apocalíptico
Horizon usa ficção científica para falar de tecnologia, memória e sobrevivência.

Red Dead Redemption 2 (2018)

Red Dead Redemption 2 talvez seja um dos melhores exemplos de como um jogo pode parecer lento de propósito. Ele não tem pressa porque quer que você viva o fim de uma era. A gangue de Dutch Van der Linde tenta sobreviver em um mundo que já não tem espaço para aquele tipo de fora da lei.

A história de Arthur Morgan é forte porque trabalha com contradições. Ele faz coisas terríveis, mas também tem consciência, lealdade e dúvidas. O jogo fala de redenção, violência, família escolhida, capitalismo, progresso e decadência de um modo que poucas obras interativas conseguem.

Também é um prato cheio para quem gosta de história dos Estados Unidos. Mesmo sendo ficção, o jogo conversa com o fim do Velho Oeste, a expansão industrial, o avanço do Estado e a romantização de figuras violentas.

The Witcher 3: Wild Hunt (2015)

The Witcher 3 é lembrado por seu mundo aberto, mas a força do jogo está mesmo nas escolhas e personagens. Geralt vive em um mundo onde quase nunca existe uma resposta perfeitamente limpa. Você ajuda uma pessoa e prejudica outra. Mata um monstro e descobre que o verdadeiro problema talvez fosse humano.

Esse tipo de narrativa é ótimo para discutir moralidade, política, preconceito e consequências. A fantasia medieval de The Witcher não é apenas cenário bonito. Ela serve para mostrar guerras, perseguições, pobreza, fanatismo e relações de poder.

Além disso, o jogo mostra como missões secundárias podem ter histórias melhores do que campanhas principais de muitos títulos. Às vezes uma pequena vila, uma maldição ou uma carta perdida já bastam para criar uma narrativa memorável.

Death Stranding (2019)

Death Stranding é estranho, e isso faz parte do charme. Hideo Kojima criou um mundo cheio de termos, criaturas, tecnologias e imagens que parecem confusas no começo. Mesmo assim, aos poucos, o jogo revela uma história sobre isolamento, conexão, morte e reconstrução.

O curioso é que a jogabilidade conversa diretamente com o tema. Você passa boa parte do tempo carregando entregas, criando rotas e conectando lugares isolados. Parece simples, mas a repetição cria uma sensação quase física de esforço e distância.

Para estudantes, Death Stranding pode render uma discussão legal sobre comunicação, sociedade, infraestrutura, solidão e dependência de redes. É um jogo que divide opiniões, mas dificilmente deixa alguém indiferente.

Mass Effect Legendary Edition (2021)

Mass Effect Legendary Edition reúne a trilogia clássica com melhorias visuais e ajustes de jogabilidade. Para quem não viveu a série na época, é uma boa porta de entrada para uma das aventuras espaciais mais queridas dos videogames.

A força de Mass Effect está no conjunto: política intergaláctica, diplomacia, guerra, ciência, ética e relações entre espécies diferentes. As decisões do jogador atravessam a trilogia, o que dá uma sensação rara de continuidade.

Também é um bom exemplo de como ficção científica pode usar alienígenas para falar sobre temas humanos. Preconceito, sobrevivência, medo do desconhecido e responsabilidade coletiva aparecem o tempo todo.

BioShock: The Collection (2016)

BioShock ganhou fama por misturar ação, terror, filosofia e crítica social. Rapture, a cidade subaquática do primeiro jogo, é um dos cenários mais marcantes dos videogames. Já Columbia, em BioShock Infinite, leva a discussão para outro tipo de utopia quebrada.

A série conversa com temas como poder, ideologia, ciência sem ética, religião, desigualdade e controle. Não é um jogo simples, e justamente por isso ainda rende debates tantos anos depois.

Para quem gosta de estudar cultura, política ou literatura, BioShock mostra como um cenário bem construído pode carregar ideias complexas sem precisar parar a aventura a cada minuto para explicar tudo.

Disco Elysium (2019)

Disco Elysium é praticamente um livro interativo disfarçado de RPG policial. Você controla um detetive quebrado, com memória bagunçada, tentando resolver um caso em uma cidade carregada de história, política e frustração.

O jogo é famoso pelos diálogos e pela forma como transforma ideias internas em personagens dentro da própria mente do protagonista. Empatia, lógica, autoridade, drama e outras habilidades discutem com você, às vezes ajudando, às vezes atrapalhando.

É uma obra excelente para quem gosta de filosofia, política, literatura e narrativa não linear. Não é para todo mundo, porque exige leitura e paciência. Mas se você entra no ritmo, é difícil encontrar algo parecido.

Personagem de jogo japonês em cenário futurista de ação
Jogos narrativos podem usar fantasia, ficção científica ou mundos históricos para discutir ideias reais.

Spec Ops: The Line (2012)

Spec Ops: The Line é mais antigo que os outros jogos da lista, mas merece ficar aqui porque sua história envelheceu bem. Ele parece um jogo militar comum no começo, mas aos poucos desmonta a fantasia heroica de guerra que muitos jogos vendem.

O jogo coloca o jogador diante de decisões desconfortáveis e mostra que violência não fica limpa só porque está dentro de uma missão. Não é uma experiência leve, mas é uma das narrativas mais importantes para discutir guerra, propaganda, culpa e responsabilidade.

Se você gosta de obras que questionam conflito e violência, também pode se interessar por nossa lista de animes de guerra, que aborda temas parecidos por outro caminho.

Por que esses jogos ajudam estudantes?

O ponto não é jogar e fingir que está estudando. O valor desses jogos aparece quando você usa a experiência como ponto de partida. Depois de jogar, dá para pesquisar mitologia nórdica, Velho Oeste, colapso ambiental, ficção científica, moralidade, guerra, filosofia ou política.

Jogos narrativos também treinam interpretação. Você precisa entender personagens, símbolos, escolhas, consequências e contexto. Isso é muito parecido com analisar literatura, cinema ou anime, só que com uma camada interativa.

Para quem gosta de cultura japonesa e games, vale continuar lendo sobre a indústria de videogames no Japão, a influência japonesa nos jogos atuais e JRPGs para treinar japonês.

No fim, um bom jogo de história não precisa substituir outras formas de estudo. Ele pode ser uma porta. Às vezes você começa jogando por diversão e termina querendo ler sobre mitologia, história, política ou linguagem. E quando uma obra consegue fazer isso, ela já ganhou um lugar especial na memória.

Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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