Keisuke Honda: dos gramados do Japão até o Brasil

A carreira internacional de um dos nomes mais conhecidos do futebol japonês.

No começo de 2020, o Botafogo anunciou uma contratação que muita gente realmente não esperava. Keisuke Honda, um dos jogadores japoneses mais conhecidos da sua geração, desembarcou no Rio de Janeiro com status de nome internacional de peso. Aos 33 anos, ele já tinha passado por clubes de grande expressão, como CSKA Moscou e Milan, além de acumular uma longa trajetória pela seleção japonesa.

A chegada dele ao Brasil repercutiu bastante na imprensa esportiva, entre torcedores e, claro, na internet. O clube apresentou Honda em um vídeo com visual inspirado em Pokémon de Game Boy, algo que ajudou a ampliar ainda mais a curiosidade em torno da contratação. Na época, esse movimento também impulsionou o crescimento digital do Botafogo. Mas, além do meme e da surpresa, a história do Honda já era bem sólida muito antes de ele vestir a camisa alvinegra.

Keisuke Honda: do começo no Japão ao destaque nas categorias de base

Embora o futebol no Japão não tenha o mesmo peso histórico de esportes tradicionais como o beisebol, Honda se interessou cedo pela bola. Ainda criança, ele passou em um teste para atuar no FC Settsu, um time local. Depois, seguiu para a escola de Ishikawa, onde teve papel importante em uma campanha que levou a equipe às semifinais do All Japan High School Soccer Tournament.

Foi nesse período que ele começou a chamar atenção nacional. Em 2004, já era visto como um dos talentos mais promissores da nova geração. Também passou a ser comparado ao personagem Seisuke Kanou, do anime Hungry Heart: Wild Striker, criado pelo mesmo autor de Captain Tsubasa. Essa associação ajudou bastante a reforçar a imagem dele entre fãs de futebol e cultura pop japonesa.

Relação entre futebol japonês e Brasil

Da Holanda à consagração na Europa

Depois dos estudos, Honda foi para a Europa e assinou com o VVV-Venlo, da Holanda. Foi ali que ele começou a provar de vez que poderia jogar em um nível mais alto. Seu bom desempenho fez com que outros clubes europeus passassem a observá-lo com mais atenção.

No fim de 2009, ele foi transferido para o CSKA Moscou, em um contrato de cerca de 6 milhões de euros. Uma das atuações mais lembradas dessa fase veio na Liga dos Campeões, quando marcou um gol decisivo de falta contra o Sevilla. Aquela partida ajudou a consolidar a reputação dele fora da Ásia, e Honda entrou para a história como o primeiro japonês a alcançar as quartas de final da competição com tanto protagonismo.

Após manter regularidade e receber elogios de treinadores e da imprensa, Honda assinou com o Milan em 2013. Chegou ao clube italiano cercado de expectativa e assumiu a camisa 10, o que por si só já mostrava o tamanho da confiança depositada nele. Talvez ele não tenha vivido sua fase mais brilhante na Itália, mas a passagem por um gigante europeu reforçou de vez seu peso no futebol japonês moderno.

Seleção japonesa, experiência internacional e chegada ao Botafogo

Pela seleção do Japão, Honda construiu uma carreira marcante. Participou de três Copas do Mundo e se destacou pelos gols, assistências e cobranças de falta. Durante um bom tempo, foi tratado como um dos principais rostos da equipe nacional, algo natural para quem acumulou quase 100 partidas e se tornou um dos artilheiros japoneses em Mundiais. Quando falamos dos atletas que ajudaram a projetar o país no exterior, ele entra fácil nessa conversa ao lado de outras lendas do futebol japonês.

Depois do Milan, Honda ainda passou pelo Pachuca, do México, onde teve números interessantes, e pelo Melbourne Victory, da Austrália. Em janeiro de 2020, assinou com o Botafogo e virou assunto no Brasil inteiro. Não era apenas a contratação de um estrangeiro: era a chegada de um jogador que carregava bagagem internacional, experiência de Copa do Mundo e uma imagem muito forte entre os fãs do futebol asiático.

Referência ao crescimento do futebol japonês no cenário internacional

Além dos gramados

Fora de campo, Honda sempre tentou expandir sua atuação. Ele investiu em escolinhas de futebol, projetos esportivos e até em clubes, como o Soltilo Angkor FC, do Camboja, e o Bright Stars FC, de Uganda. Também chegou a atuar de forma voluntária no desenvolvimento da seleção cambojana e se envolveu em iniciativas empresariais e de investimento.

Mesmo sem empilhar grandes títulos pela seleção japonesa, Keisuke Honda entrou para a história como um dos nomes mais conhecidos do futebol do país. A passagem pelo Brasil foi curta, mas suficiente para aproximar ainda mais o público brasileiro de um jogador que já tinha deixado sua marca no Japão, na Europa e em outras partes do mundo.

Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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