Viagem ao Japão - Hamamatsu, aviões, yakiniku e onsen

Um dia em Hamamatsu com aviões, yakiniku, onsen e uma história de honestidade japonesa.

Durante minha viagem ao Japão em setembro de 2016, fui convidado a passar 1 dia em Hamamatsu. Foi nessa cidade que tive algumas experiências bem marcantes, como visitar o Air Park, comer yakiniku barato, entrar pela primeira vez em um onsen e ainda presenciar de perto a famosa honestidade japonesa.

Neste artigo quero contar com calma como foi esse dia em Hamamatsu. Não foi um roteiro gigante, daqueles impossíveis de repetir, mas acabou virando um dos dias mais gostosos da minha viagem.

Pra quem não conhece, Hamamatsu (浜松市) é uma cidade localizada em Shizuoka, entre Osaka e Tóquio. Ela tem mais de 800 mil habitantes e é conhecida como cidade da música. Também é famosa pela grande quantidade de brasileiros: são mais de 18 mil vivendo por lá. Um dos símbolos curiosos da cidade é um prédio em formato de gaita.

Vista da cidade de Hamamatsu durante minha viagem ao Japão

Chegando em Hamamatsu e visitando o Air Park

Saí de Osaka de Shinkansen com bastante facilidade e encontrei meu amigo Roberto em Hamamatsu. O primeiro lugar que ele me levou para conhecer foi a famosa base aérea da cidade, chamada Hamamatsu Air Park.

O local é um parque e museu de aviação com vários aviões expostos, equipamentos, simuladores e até apresentações no céu em alguns dias. Para quem gosta de tecnologia, história militar ou simplesmente quer ver algo diferente no Japão, é uma parada bem interessante.

Uma coisa que me chamou atenção foi encontrar informações em português dentro da base aérea. Em uma placa no avião, li uma frase engraçada: era proibida a entrada de pessoas estranhas. Quer dizer que, se a pessoa não for estranha, pode entrar? Essas pequenas traduções meio tortas acabam rendendo boas lembranças de viagem.

Aviões e equipamentos expostos no Hamamatsu Air Park

No Air Park você conhece um pouco da história da aviação japonesa. Dá para vestir roupa de piloto de caça, tirar fotos dentro de um avião e até pilotar um simulador. São diversos tipos de aeronaves, modelos de caças e aviões de guerra. Para quem está viajando por Hamamatsu, é um ponto turístico que vale muito a pena, ainda mais porque a entrada é gratuita.

Yakiniku barato e teleférico no lago Hamanako

Muita gente imagina que comer carne no Japão é sempre caro. Mas fomos no horário de almoço ao Yakiniku Stamina Taro e pagamos apenas 1.000 ienes, cerca de 28 reais na época, para comer à vontade por 2 horas o famoso churrasco japonês.

No yakiniku você mesmo grelha a carne na mesa, do jeito que quiser. Foi uma experiência maravilhosa e deliciosa. A carne era macia e, mergulhada no molho, ficava melhor ainda.

Mesa de yakiniku no Japão com carne sendo grelhada

E não tinha apenas carne. Também havia sushi, macarrão, sorvete, crepe e vários outros alimentos doces e salgados que podíamos preparar da maneira que quiséssemos. A bebida também era à vontade, ou, se não me recordo errado, tinha uma pequena taxa de 200 ienes.

Isso me surpreendeu bastante, porque sempre que vamos a um rodízio no Brasil, um copo de bebida pode custar quase metade do preço do rodízio. Foi nesse yakiniku que confirmei uma impressão que já vinha tendo: em muitas situações, comer no Japão pode sair mais barato do que no Brasil, até mesmo pensando no salário brasileiro.

Depois do yakiniku fomos ao parque Pal Pal para pegar um teleférico chamado Kanzanji Ropeway. Ao subir, dá para ver a beleza do lago Hamanako, uma região cheia de parques e atrações. O teleférico leva até a montanha de Okusa, onde fica o museu da música, e a plataforma de observação oferece uma vista de 360 graus da região de Hamamatsu.

Teleférico Kanzanji Ropeway com vista para o lago Hamanako em Hamamatsu

Enquanto estava no parque, percebi que tinha esquecido minha bolsa com o passaporte dentro do yakiniku. Meu amigo, muito calmo, disse para eu não me preocupar porque ali era o Japão. Mesmo assim, fiquei com receio, ainda mais porque havia alguns jovens estrangeiros de má aparência sentados na porta do restaurante.

Felizmente, quando voltamos ao yakiniku, a recepcionista estava quase desesperada para devolver minhas coisas e já pensava em chamar a polícia. Foi uma daquelas situações simples, mas que fazem você entender por que tanta gente fala da honestidade japonesa.

Primeiro onsen, vergonha e gyoza em Hamamatsu

Depois de tudo isso, fomos para um onsen. Antes, claro, precisávamos recuperar um pouco de energia e fomos atrás de um tonjiru, uma sopa de miso com carne de porco.

Fomos então ao Yufukei Shiori Onsen e pagamos cerca de 700 ienes para entrar e ficar o tempo que quiséssemos. Meu amigo comentou que existia outro onsen melhor na região, chamado Kanzanji Onsen, mas para minha primeira experiência aquele já foi mais do que suficiente.

Yufukei Shiori Onsen visitado durante a viagem a Hamamatsu

Como era minha primeira vez em um onsen, é normal bater aquela vergonha. Eu não largava a toalhinha ao atravessar de uma piscina para outra. O lugar tinha várias piscinas diferentes: água gelada, super quente, gasificada, elétrica, hidromassagem e outras que nem lembro direito.

Também havia 3 tipos de sauna, muitas áreas de descanso, uma coleção imensa de livros e mangás para pegar e ler, cadeiras de massagem e serviços pagos de massagem. Tinha ainda um negócio que me deixou curioso, algo relacionado a câmara de ar, mas o preço me afastou na hora.

Prato de gyoza em Hamamatsu, uma das especialidades da cidade

Depois dessa experiência maravilhosa no onsen, fui recuperar as energias no Gomihatchin Gyoza, comendo os deliciosos gyoza, uma das especialidades da cidade.

Depois disso, esse dia maravilhoso chegou ao fim e se tornou um dos melhores momentos da viagem. Pode não parecer tão emocionante para todo mundo, mas yakiniku e onsen eram duas das coisas que eu mais estava ansioso para experimentar no Japão. Existem várias outras coisas que eu poderia ter feito em Hamamatsu, mas precisei ir embora cedo no dia seguinte. Espero poder voltar logo para essa e para as milhares de outras cidades divertidas que existem no Japão.

Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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