A preocupação da maioria das pessoas é economizar dinheiro em suas viagens. Pensando nisso, quero compartilhar algumas dicas de lugares gratuitos no Japão e, principalmente, de como não gastar dinheiro só para depois voltar para casa arrependido.
Primeiro vou contar uma experiência minha, porque foi nela que eu percebi uma coisa simples: nem todo passeio bom precisa custar caro. Depois, também deixo algumas ideias de lugares gratuitos e cuidados para você gastar apenas com aquilo que realmente importa.
Até hoje me lembro como foi bom o dia em que tirei a foto abaixo. Era um dia de folga, e a época das cerejeiras estava prestes a acabar. Eu pensei: “preciso tirar fotos de cerejeira, mas tem que ser uma foto que imponha respeito”. Procurando um lugar legal para ir, vi que o Castelo de Hamamatsu era um dos pontos com mais cerejeiras na região onde eu morava.
Na mesma hora coloquei uma calça jeans e fui com a camisa do pijama mesmo. Só que, chegando lá, encontrei uma diversidade incrível de lugares para tirar foto nos arredores do castelo. Eu tirava foto e andava, tirava foto e andava. Essa foi uma das fotos que tirei.

Para terminar o passeio, comprei um café com leite em uma barraca perto do castelo e fui embora. “O que você quer ensinar com isso?” Talvez você se pergunte agora, enquanto sente quase o gosto de café com leite e açúcar na boca.
O que quero mostrar é que esse passeio maravilhoso e divertido não me custou nada, tirando, é claro, o café com leite.
Descobri nesse dia que, em muitos castelos, você paga apenas para entrar nas áreas fechadas. Enquanto não houver portão ou bilheteria, dá para passear à vontade pelos arredores, jardins e caminhos. Simplificando: se você quer ir a um castelo só para tirar fotos e sentir o clima do lugar, muitas vezes consegue fazer isso sem gastar um tostão.
E vai por mim: embora cada castelo no Japão tenha uma aparência diferente por fora, por dentro muitos acabam seguindo uma lógica parecida. O charme costuma estar nos jardins, na arquitetura, na vista e no lugar onde o castelo fica. Para aproveitar essa parte, muitas vezes você não paga nada. Quer ver outro exemplo? Abaixo está uma foto do Castelo Ninomaru, em Kyoto.

Mirantes gratuitos no Japão
Muita gente sonha em conhecer a Tokyo Skytree ou a Tokyo Tower, mas não percebe que vai gastar uma boa quantia para subir nesses lugares. Eu recomendo visitar esse tipo de atração ao menos uma vez, se for algo que você realmente quer. Mas também existem mirantes e prédios altos com experiências parecidas, ou pelo menos muito boas, sem o mesmo peso no bolso.
O Tokyo Metropolitan Government Building, em Shinjuku, é um dos exemplos mais famosos. Ele tem observatório gratuito e uma bela vista de Tokyo. O lado ruim é que, justamente por ser gratuito, pode ficar cheio dependendo do horário. Se puder, evite fins de semana e horários de pico.
Em Osaka, o Umeda Sky Building também chama muita atenção. O observatório principal costuma ser pago, então vale conferir antes de ir, mas o prédio em si, a arquitetura e os arredores já rendem um passeio interessante. Em algumas cidades, você também encontra centros cívicos, prédios comerciais e shoppings com andares altos ou áreas abertas ao público.

Alguns nomes que vale pesquisar antes da viagem são Tokyo Metropolitan Government Building, Bunkyo Civic Center, Ebisu Garden Place Tower e Caretta Shiodome. Não trate essa lista como regra absoluta, porque horários e acesso podem mudar. Use como ponto de partida para procurar lugares altos e gratuitos na cidade que você vai visitar.
Muitas pessoas me perguntam por que eu gosto de explorar atrações turísticas sem pagar nada, e para essas pessoas eu respondo brincando: “o governo já me explora o suficiente para permitir que eu o explore de volta”.
Lugares gratuitos para visitar no Japão
Além dos castelos e mirantes, existem milhares de coisas para visitar no Japão de forma gratuita. Você pode simplesmente abrir o Google Maps e encontrar parques, templos, santuários, bairros, mercados e trilhas perto de onde está hospedado.
Algumas ideias que costumam render bons passeios são parques públicos, jardins gratuitos, mercados de peixe, museus com entrada livre em dias específicos, montanhas, florestas, festivais, bunkasai, matsuri, centros comerciais, shoppings, templos e santuários.

Além dos lugares totalmente gratuitos, existem museus, jardins, castelos, parques, torres, onsen, aquários e outras atrações bem baratas. Muitas não passam de algumas centenas de ienes. Não existe necessidade de pagar caro em todo ponto turístico, principalmente quando o Japão está cheio de alternativas bonitas e mais tranquilas.
Você sabia que é possível até conseguir guias turísticos de graça em algumas regiões? Claro que depende da cidade, da disponibilidade e do idioma, mas é uma opção que muita gente nem procura.
Cuidado com o que você paga
A verdade é que eu acredito em economizar dinheiro para gastar com as coisas que realmente importam. Para mim, faz sentido gastar com algo que eu realmente quero, não apenas por desejo momentâneo. Quando entro nessa mentalidade de economizar para gastar com o que importa, o dinheiro que gasto me deixa tranquilo, feliz, e é isso que conta no fim.
Eu já fui em restaurantes caros e amei. Também já fui em restaurantes caros e detestei. Já comprei coisas caras que uso até hoje, e também já comprei coisas caras que ficaram juntando poeira no apartamento. Já paguei caro em atrações turísticas que amei, como a Tokyo Disneyland, e já paguei caro em atrações que não gostei tanto, como a Tokyo DisneySea.

O que fez eu gostar ou não foi o simples fato de eu querer aquilo de verdade. Quando cheguei ao Japão pela segunda vez, tive uma vontade enorme de ir à Disneyland, porque era meu sonho de criança e um dos itens que eu queria marcar na minha lista de coisas que valeram a pena fazer antes dos 30 anos.
Esse simples fato de realizar um sonho de criança fez a viagem valer muito a pena. Até hoje me lembro com carinho daquele dia especial que passei na Disneyland. Para ser sincero, lembro especialmente de assistir a um musical 4D em uma das atrações. Eu não entendia nada do que falavam, era tudo em japonês, mas uma cena mostrando Aladdin e a Princesa Jasmine voando no tapete foi fantástica. Me senti com 3 anos novamente, sonhador e com a criatividade a mil.

Sempre que me sinto empacado, lembro desse momento e parece que meu tanque de criatividade é reabastecido.
Já a Tokyo DisneySea me deixou uma lembrança bem diferente: filas intermináveis, dor de cabeça, uma experiência estranha com o musical da Pequena Sereia e poucos minutos de diversão em uma atração do Toy Story que parecia mais um jogo de videogame do que uma atração de verdade.
Por que me senti assim? Porque, ao contrário da Disneyland, eu só fui à DisneySea porque estava de férias e queria fazer alguma coisa divertida. A moral da história é simples: gaste dinheiro de forma consciente e apenas com aquilo que realmente importa para você.
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