Ripple/XRP no Japão: ascensão, queda e o que mudou

A história do XRP no Japão mistura bancos, remessas e muita expectativa.

Na última década, muita gente conheceu as criptomoedas pelo Bitcoin. Foi ele que virou o rosto mais famoso desse mercado, principalmente por causa das variações de preço e da ideia de dinheiro digital fora do sistema bancário tradicional.

Mas o Japão não olhou apenas para o Bitcoin. Por um bom tempo, uma moeda chamada XRP, ligada à empresa Ripple, chamou bastante atenção por lá. Ela apareceu nas conversas de investidores, em testes de bancos e em projetos de remessa internacional, justamente porque prometia resolver um problema bem real: enviar dinheiro entre países de forma mais rápida e barata.

Claro que, como acontece com quase tudo no mundo das criptomoedas, a história não foi uma linha reta. O XRP teve momentos de grande empolgação, depois perdeu força, enfrentou disputa jurídica nos Estados Unidos e continuou sendo usado em algumas iniciativas no Japão. Então vale entender com calma o que é Ripple, onde entra o XRP e por que o Japão foi tão importante nessa história.

Moedas digitais ao lado de elementos que lembram o Japão
O Japão sempre teve uma relação curiosa com criptomoedas: muita tecnologia, bastante cautela regulatória e um público que acompanha de perto esse mercado.

O que é Ripple e onde entra o XRP?

Antes de falar da queda de popularidade, precisamos separar duas coisas que muita gente mistura. Ripple é a empresa e também o nome usado para suas soluções de pagamento. XRP é o ativo digital que funciona dentro do XRP Ledger, uma rede criada para transferências rápidas.

A ideia original não era simplesmente criar “mais uma moeda” para competir com o Bitcoin. A proposta era construir uma infraestrutura que pudesse ser usada por bancos, fintechs e empresas de remessa para liquidar pagamentos internacionais com menos demora e menos custo.

No Bitcoin, o discurso sempre esteve muito ligado à descentralização e à independência em relação a bancos e governos. Já o ecossistema da Ripple nasceu com um pé dentro do sistema financeiro tradicional. Para algumas pessoas isso é uma vantagem, porque facilita a adoção por instituições. Para outras, é justamente o ponto que torna o projeto menos “rebelde” do que o Bitcoin.

O XRP também não passa por mineração como o Bitcoin. As transações são validadas por consenso na rede, o que permite liquidações em poucos segundos. Esse detalhe técnico é importante porque explica por que bancos e empresas de remessa se interessaram tanto pela tecnologia.

Representação visual da criptomoeda XRP sobre uma tela de mercado
O XRP ficou conhecido por tentar aproximar criptomoedas e pagamentos internacionais, um uso bem diferente da narrativa mais libertária do Bitcoin.

Ripple e Bitcoin são bem diferentes

Quando alguém compara XRP com Bitcoin, a primeira diferença está no objetivo. A origem do Bitcoin está ligada à ideia de uma moeda digital descentralizada, resistente a censura e sem depender de uma autoridade central. O XRP, por outro lado, ficou muito associado a pagamentos corporativos e transferências entre instituições.

Outra diferença é a forma como cada rede lida com tempo e custo. No Bitcoin, uma transação pode levar alguns minutos para ser confirmada, dependendo da rede e das taxas. No XRP Ledger, a confirmação costuma acontecer em poucos segundos, o que torna a tecnologia mais atraente para remessas e pagamentos internacionais.

Isso não significa que um seja automaticamente “melhor” do que o outro. São propostas diferentes. O Bitcoin virou uma espécie de reserva digital para muita gente, enquanto o XRP tentou ganhar espaço como peça de infraestrutura financeira.

Também é bom lembrar que o ranking das criptomoedas muda o tempo todo. Houve fases em que o XRP ficou entre os maiores ativos do mercado, brigando por espaço com Bitcoin e Ethereum. Hoje, essa posição varia conforme preço, liquidez, regulamentação e interesse dos investidores.

Moeda de Bitcoin representando o mercado de criptomoedas
Bitcoin e XRP costumam aparecer na mesma conversa, mas nasceram com objetivos bem diferentes.

Por que o Japão gostou tanto do Ripple?

O Japão sempre foi um mercado interessante para tecnologia financeira. O país tem bancos fortes, grandes empresas, uma população acostumada com pagamentos digitais e, ao mesmo tempo, um sistema que valoriza estabilidade e confiança. Nesse cenário, a proposta da Ripple fazia sentido.

A parceria mais lembrada é a SBI Ripple Asia, criada com participação da SBI Holdings. A empresa passou a oferecer soluções como RippleNet para instituições financeiras e empresas de remessa no Japão, Coreia e partes do Sudeste Asiático. Em 2021, a SBI Remit também anunciou um serviço de remessa usando a tecnologia ODL da Ripple com XRP em transferências do Japão para as Filipinas.

Esse tipo de caso ajudou a criar a impressão de que o XRP poderia ter um papel especial no Japão. Não era apenas especulação de preço. Havia uma narrativa de uso real em pagamentos internacionais, algo que sempre pesou bastante para quem defendia a moeda.

Além disso, o XRP continuou aparecendo em várias corretoras registradas no Japão. A própria lista da Agência de Serviços Financeiros japonesa mostra prestadores registrados que lidam com XRP, embora o órgão também deixe claro que criptoativos não são moeda de curso legal e podem perder valor rapidamente.

A queda de popularidade entre investidores

O problema é que uma boa tecnologia não garante preço subindo para sempre. Depois do auge de entusiasmo, o XRP perdeu força em várias fases do mercado. Em 2019, por exemplo, muita gente já comparava o desempenho fraco do XRP com a recuperação do Bitcoin, e isso afetou a confiança de investidores.

Depois veio outro peso: a disputa entre a SEC dos Estados Unidos e a Ripple. O caso começou em 2020 e virou um dos processos mais acompanhados do setor. Em 2024, a corte aplicou uma multa civil à Ripple relacionada a vendas institucionais de XRP. Em 2025, a SEC anunciou a desistência das apelações, mantendo o desfecho principal do caso. Mesmo assim, a discussão deixou nuances importantes sobre vendas em bolsas e o próprio status do ativo.

Para quem acompanhava de fora, isso criou incerteza. Mesmo que o Japão tivesse uma postura mais organizada em relação a corretoras registradas, o mercado global de criptomoedas reage muito ao que acontece nos Estados Unidos. Quando existe dúvida regulatória, o investidor comum costuma ficar mais cauteloso.

Pagamento digital sem dinheiro físico em ambiente urbano
A parte mais interessante do Ripple no Japão talvez esteja menos no preço do XRP e mais no uso de tecnologia para pagamentos internacionais.

Moeda de troca ou investimento?

Na minha opinião, esse é o ponto mais importante para entender a história do XRP no Japão. Muita gente comprou a moeda esperando valorização, mas o projeto sempre tentou vender uma promessa maior: melhorar pagamentos internacionais.

Quando olhamos apenas para o gráfico, a sensação pode ser de decepção. O XRP já teve momentos fortes, quedas grandes e longos períodos sem acompanhar o entusiasmo de outras moedas. Mas quando olhamos para parcerias e infraestrutura, a história fica menos simples.

A Ripple e empresas ligadas ao grupo SBI continuaram explorando usos de blockchain no Japão. Em 2024, por exemplo, a Ripple anunciou uma colaboração com a HashKey DX e a SBI Ripple Asia para levar soluções empresariais baseadas no XRP Ledger ao mercado japonês. Isso não significa que o preço do XRP vai subir por causa disso, mas mostra que o assunto não desapareceu.

Esse cuidado é necessário porque criptomoeda não é renda fixa, não é garantia de lucro e nem deve ser comprada só porque uma empresa famosa usa a tecnologia por trás. Se você acompanha esse mercado, vale separar bem o uso da rede, a saúde da empresa, a regulação e o preço do ativo. São coisas conectadas, mas não são a mesma coisa.

O que ficou dessa história no Japão?

O Ripple talvez não tenha virado a revolução bancária que muitos fãs imaginavam no começo. Mesmo assim, ele deixou uma marca forte no Japão por ter aproximado criptomoedas, bancos e remessas internacionais em um período em que muita gente ainda via cripto apenas como aposta de internet.

Hoje eu vejo o XRP no Japão como um caso curioso de expectativa alta, queda de entusiasmo e permanência silenciosa. Ele não domina a conversa como antes, mas também não sumiu. Continua listado em corretoras, aparece em projetos ligados a pagamentos e ainda tem uma comunidade que acompanha cada novidade.

Se você gosta desse tema, vale também entender como o Japão organiza o mercado de criptoativos e por que nem todo projeto que parece promissor vira um bom investimento. No fim, a lição do XRP é bem japonesa nesse sentido: tecnologia pode ser interessante, mas confiança, regra clara e uso prático pesam muito.

Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

Comunidade

Comentários

0 comentários

Ainda não há comentários publicados neste idioma.

Enviar um comentário

Comente este artigo

Verificação anti-spam

Não envie links, embeds ou propaganda. O comentário passa por anti-spam e tradução automática antes de aparecer.