Entre os jogos que explodiram durante os anos de pandemia, poucos ficaram tão marcados quanto Among Us. Era simples, leve, caótico e perfeito para jogar com amigos enquanto todo mundo tentava descobrir quem era o impostor.
Pra quem não lembra, a ideia é bem direta: tripulantes tentam cumprir tarefas dentro de uma nave, enquanto um ou mais impostores sabotam tudo e eliminam os outros jogadores. A graça está justamente na conversa, na mentira, na acusação errada e naquela desconfiança boba que faz qualquer sala virar uma bagunça.
O jogo foi lançado em 2018 pela Innersloth, mas só virou fenômeno mundial em 2020, muito por causa das lives no Twitch, vídeos no YouTube e partidas entre amigos. De repente, aqueles bonequinhos coloridos estavam em memes, camisetas, vídeos, desenhos e, claro, também chamaram a atenção do Japão.

Among Us ganhou um mangá curto
A adaptação de Among Us saiu no Japão como uma história curta na revista especial Bessatsu CoroCoro Comic Special 4月号 Anicoro Comic, lançada em 28 de fevereiro de 2022. Não foi o começo de uma série longa, mas sim um daqueles one-shots que aparecem em revistas japonesas para testar uma ideia, divulgar uma obra ou simplesmente brincar com um universo popular.
Isso combina muito com Among Us. O jogo já tem uma estrutura quase pronta para uma história curta: um grupo preso no mesmo lugar, um impostor escondido, suspeitas crescendo e alguém tentando descobrir quem está mentindo. É o tipo de premissa que pode virar comédia, suspense ou uma mistura das duas coisas.
Também acho curioso ver como um jogo ocidental, criado por um estúdio pequeno, conseguiu chegar até uma revista japonesa tão ligada ao público jovem. A CoroCoro sempre teve essa relação forte com games, brinquedos e franquias populares. Então, ver Among Us ali não é tão estranho quanto parece.

Por que isso fez sentido?
Among Us sempre foi mais sobre reação humana do que sobre gráficos. O jogo funciona porque as pessoas mentem mal, acusam demais, se defendem errado e acabam criando histórias engraçadas sem perceber. Em mangá, esse tipo de situação rende muito: expressões exageradas, cortes rápidos, personagens suspeitos e aquela dúvida de quem está enganando quem.
Também existe um detalhe cultural interessante. No Japão, jogos que viram mangá não são novidade. Pokémon, Yo-kai Watch, Splatoon e várias outras franquias passaram por revistas como a CoroCoro. Já falamos um pouco sobre essa relação entre videogames no Japão e cultura pop, e Among Us acabou entrando nesse mesmo caminho, só que de um jeito mais pontual.
Para quem acompanha animes inspirados em mangás ou adaptações de jogos, esse caso é um bom lembrete de como o Japão gosta de experimentar formatos. Nem tudo precisa virar anime de 24 episódios ou franquia gigantesca. Às vezes, uma história curta já basta para aproveitar o momento.
Among Us nos consoles
Outro ponto que ajudou o jogo a continuar vivo foi a chegada aos consoles. Among Us começou forte nos celulares e no PC, depois chegou ao Nintendo Switch em 2020 e, em dezembro de 2021, também apareceu no PlayStation e no Xbox.
Essa expansão foi importante porque tirou o jogo daquele círculo mais preso a streamers e celulares. Com versões para consoles, mais gente pôde jogar com amigos, principalmente em salas casuais. A Innersloth também manteve o jogo em várias plataformas, com suporte oficial para Steam, Epic Games Store, Xbox, PlayStation, Nintendo Switch, Android e iOS.

No fim, o mangá de Among Us não precisa ser visto como algo enorme ou revolucionário. Ele é mais um sinal de como o jogo conseguiu furar a bolha e aparecer em lugares diferentes. Saiu dos celulares, foi para lives, consoles, memes e também para uma revista japonesa.
Na minha opinião, isso é o mais interessante. Among Us é simples, mas tem uma ideia tão fácil de entender que funciona em várias mídias. Talvez a adaptação em mangá não seja algo que todo mundo vá ler, mas mostra como uma boa premissa pode viajar longe quando cai no gosto do público.
Comunidade
Comentários
0 comentários
Ainda não há comentários publicados neste idioma.
Enviar um comentário