Amendoim japonês - É mesmo do Japão?

A história mexicana do petisco com nome japonês.

O amendoim japonês é daqueles petiscos que a gente vê no mercado, come sem pensar muito e só depois descobre que o nome guarda uma história curiosa. Ele é popular no Brasil, no México e em vários países, mas a origem dele não é exatamente o Japão.

Na verdade, esse amendoim crocante nasceu no México, criado por um imigrante japonês chamado Yoshigei Nakatani, por volta da década de 1940. Em espanhol ele também aparece como maní japonés ou cacahuate japonés, e talvez por isso muita gente acabe associando diretamente ao Japão.

A parte japonesa existe, claro, mas está mais ligada à inspiração, ao criador e ao uso de sabores como o shoyu. O resultado virou um petisco com cara própria, meio mexicano, meio japonês e bem familiar para quem cresceu vendo saquinhos de amendoim temperado por aí.

Pacote tradicional de amendoim japonês da marca Nishikawa

Amendoim japonês não é um aperitivo comum

Quando falamos em amendoim japonês, não estamos falando apenas de amendoim torrado com sal. O diferencial está naquela casquinha dura e crocante, feita com farinha e temperos, que envolve o grão inteiro. É essa camada que dá a graça do petisco.

O molho de soja ajuda a trazer aquele toque salgado e umami que lembra a culinária japonesa, mas o nome ficou famoso principalmente por causa da história de Nakatani. Ele imigrou do Japão para o México, casou-se com uma mexicana e começou a vender o lanche na região da La Merced, na Cidade do México.

A marca Nippon, cujo nome também remete ao Japão, ajudou a espalhar essa identidade. Depois vieram outras marcas conhecidas, como a Nishikawa, e o amendoim japonês acabou ganhando espaço em mercados, bares e festas.

Amendoins japoneses com casquinha crocante servidos como petisco

Existe amendoim japonês no Japão?

Não exatamente do jeito que conhecemos no Brasil e no México. No Japão existem petiscos parecidos, feitos com grãos, feijões, soja ou amendoins cobertos por uma camada doce ou salgada. Esse tipo de doce ou salgadinho pode ser chamado de mamegashi [豆菓子].

Talvez tenha vindo daí a inspiração de Yoshigei Nakatani. Só que, no México, a receita ganhou outro caminho: farinha de trigo, shoyu, açúcar, sal e uma crocância bem marcada. É um bom exemplo de como uma comida pode nascer de uma mistura cultural sem pertencer 100% a um único país.

No Japão, os sabores desses petiscos de grãos podem variar bastante. Alguns puxam para o doce, outros para o salgado, e também existem versões com alga, pimenta, peixe seco e outros temperos comuns em snacks japoneses.

Amendoim japonês no Brasil

No Brasil, o amendoim já é parte da nossa vida faz tempo. Ele aparece em paçoca, pé de moleque, doces de festa junina, bolos, sorvetes, recheios e também nos petiscos de bar. Então não é surpresa nenhuma o amendoim japonês ter se encaixado tão bem por aqui.

A diferença é que ele chega com outro perfil: mais crocante, mais temperado e menos doce que muitos doces brasileiros de amendoim. Para quem gosta de petisco salgado, ele acaba sendo uma opção fácil de beliscar enquanto conversa, assiste algo ou toma uma bebida.

Se você gosta de comparar comidas do Brasil e do Japão, vale também conhecer outros pratos e ingredientes em nossa lista de comidas japonesas. Nem tudo que parece japonês nasceu no Japão, e justamente aí começam as melhores curiosidades.

Amendoim japonês faz bem?

O amendoim em si é rico em gorduras, proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Ele não contém colesterol e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. Mesmo assim, é bom lembrar que o amendoim japonês não é a mesma coisa que comer amendoim cru ou torrado sem sal.

Por causa da casquinha, ele costuma levar farinha de trigo, açúcar, sal e molho de soja. Algumas receitas também usam glutamato monossódico. Ou seja, continua sendo gostoso, mas é melhor tratar como petisco, não como alimento milagroso.

Outro detalhe importante: quem tem alergia a amendoim deve evitar completamente. E, como a receita tradicional leva farinha de trigo, também não é uma boa opção para quem precisa fugir do glúten.

Shoyu usado para temperar a calda salgada do amendoim japonês

Receita de amendoim japonês

Agora vem a parte mais divertida: tentar fazer em casa. A receita dá um pouco de trabalho porque o amendoim precisa receber camadas de calda e farinha antes de ir ao forno, mas o resultado fica bem interessante.

Ingredientes da primeira calda

  • 1/2 xícara de chá de água;
  • 1 colher de sopa rasa de sal;
  • 1 colher de café de bicarbonato de sódio;
  • 1 xícara de chá de açúcar refinado;
  • 1 kg de amendoim cru com casca vermelha;
  • 3 1/2 xícaras de chá de farinha de trigo.

Ingredientes da segunda calda

  • 1/2 copo americano de molho de soja light;
  • 1/3 xícara de chá de água;
  • 1 colher de sopa de açúcar;
  • 1/2 colher de sopa de manteiga;
  • 1/2 colher de chá de glutamato monossódico;
  • 1/2 colher de chá de sal.

Modo de preparo do amendoim japonês

Em uma tigela, misture a água, o sal, o bicarbonato e o açúcar refinado. Essa será a primeira calda. Reserve.

Coloque o amendoim cru em uma assadeira grande e umedeça aos poucos com a calda. Depois, polvilhe a farinha de trigo sobre os amendoins, passe tudo por uma peneira e balance para retirar o excesso de farinha. Repita esse processo mais três vezes, até formar uma boa camada ao redor dos grãos.

Espalhe os amendoins em outra assadeira e leve ao forno preaquecido a 250 graus por cerca de 25 minutos, mexendo de vez em quando para secar todos os lados. Retire quando estiver levemente dourado e crocante.

Para a segunda calda, misture em uma panela o molho de soja, a água, o açúcar, a manteiga, o glutamato e o sal. Leve ao fogo até ferver. Coloque os amendoins já encapados e torrados nessa panela, misture bem e deixe no fogo até o fundo secar.

Volte os amendoins para a assadeira, espalhe bem e leve ao forno por mais ou menos 10 minutos, mexendo de vez em quando para secar por igual. Depois é só esperar esfriar e servir.

Uma dica simples é guardar em potes bem fechados para manter a crocância. Se quiser brincar com cor e sabor, dá para substituir parte do shoyu por misturas como açafrão com curry, colorau com pimenta caiena ou até uma água batida com salsinha para uma versão esverdeada.

Porção de amendoim japonês pronto para servir

Prontinho. É só caprichar, deixar esfriar bem e se fartar com esse aperitivo. Este artigo teve colaboração do meu amigo Paulo Paiva, e para complementar deixo também uma receita em vídeo:

Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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